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18/08/2011

Mudança Constante


Egoísmo. Simplicidade. Encantamento. Revolta.
Tudo anda tão intenso e intacto em mim.
Não sei muito bem se está acostumado com tamanha movimentação.
Mas hoje, não sei se posso ser a mesma de ontem.

Mudo constantemente porque o tédio me consome. Me devora.
Como qualquer paixão de novela. Como qualquer meio sorriso.
Egoísmo. Simplicidade. Encantamento. Revolta.
Não se engane, talvez seja apenas uma fase. Daquelas fases cheias de doçura.

Minha pele está adaptada. Meus olhos já não se surpreendem.
Parei de pensar que sou apenas uma. Isso me incomoda muito.
Sou eu, você e os demais.
Sou até quem não imagina, mas isso é útil, acredite em mim.

Enquanto você. Tão comum. Tão seco.
Tuas mãos são quase como imperceptíveis.
Teu toque é sempre o mesmo.
Sua personalidade é quente em um nível que embora alto, seja bem abaixo do meu.

Não passas de uma traição meio torta. Meio simples demais.
É por isso que teus olhos carregam todo esse mel.
Porque você é como uma quantia exata. Como o último cheiro de chuva.
Deixe-me então inconstante. Tente misturar teu tédio com minha  mente embaralhada.
Porque tu não passas de um só. Não passas de uma traição meio torta.
Talvez até seja meio simples demais.



11/07/2011

Dificil Vida Fácil


- Peguei um copo de whisky que estava ao lado daquele homem de terno deslocado e distraído nos meus olhos, o que geralmente era algo muito raro, já que meu decote era maior que qualquer um naquele dia. E então depois de tanto me olhar, ao envés de perguntar-me o preço do prazer perguntou-me sobre mim. Então lhe disse - 150,00 por hora. Pode usar como quiser, querido. - Pegou-me pelo braço e levou-me até seu carro, quando comecei a tirar meu casaco, ele me deteve. Tirou então 150,00 reais do bolso e me deu. A única coisa que ouvi depois disso foi - Conte-me sobre você. E então comecei. Comecei a reviver assustadoramente um mundo já esquecido. Sou Dani, e prefiro que pense que tenho 20 anos, na verdade até eu me confundo ás vezes quanto tempo já vivi. Parece uma eternidade. Nasci numa cidadezinha pequena de Minas Gerais chamada Consolação. Minha família é toda de lá. Ah, minha mãe é linda, meiga e a pessoa mais bondosa que conheço. Vive com menos de meio salário minimo e era tão feliz que ás vezes considerava a hipótese de viver lá com ela toda essa felicidade. Engano. Burrice. Só depois eu entendi que o que ela fazia é curtir as migalhas deixadas pelo pai na nossa pequena casinha e curtir a falsa felicidade com meu padrasto. O nome dele era José, do meu padrasto. Ele se aproximou de mim e me dava balas todos os dias. Um dia quando estava indo trabalhar da vendinha que me pagava com arroz e um pouco de feijão. Estava muito frio naquele dia. Voltei pra pegar meu casaco e vi minha irmanzinha, tão pura, tão perfeita sendo atacada por aquele maldito monstro. A unica coisa que vi foi minhas mãos o atacando com um pedaço de pau. O matei, violentamente. Minha irmã morreu no mesmo dia pelas mãos do desgraçado. A cidade nem quis me escutar, em menos de 5 horas todos já sabiam, todos já me julgavam e praticamente me expulsaram de lá. Eu não pretendia aceitar aquilo, queria apenas viver em paz com minha mãe, mas ela me rejeitou como os outros. Preferiu acreditar que fiz aquilo por ciumes dele e quando me disse: não acredito em você. Aquilo foi o suficiente. No dia seguinte havia desapacido pra sempre.
Peguei uma carona com um caminhoneiro que me deixou na casa da Madame Jaquelinne. Ela tinha aparência de ter uns 30 anos, mas usava roupas me meninas de 20, sempre colorida e brilhante me ensinou a ganhar a vida de um jeito mais fácil. Não tente imaginar quantos anos eu tinha. Meu primeiro programa foi um mês depois, com um garoto de 22 anos com um belo carro. Fiquei "com ele" aproximadamente 1 mês e imagine só. Me iludi. Imaginei amor, carinho e compreensão. Bobagem! Quando  o abracei na nossa ultima noite e adormeci no seu colo, me acordou violentamente e me disse coisas que não me atrevo a lembrar. Assim comecei a tratar meus clientes como eu deveria: como objetos. Uma noite e nada mais, sem sentimentos, sem aprofundamento. Apanhei de muitos e ganhava muito pouco. Assim cheguei a ser quem sou hoje. Simplesmente assim. - Quando parei, quase vi uma lágrima naqueles olhos escuros. Não me sensibilizei, aprendi com a vida. Ele olhou-me intensamente durante muito tempo, olhei no relógio de já haviam passado 50 mnts. Assumo que desejava que durasse mais, mas não durou. - 10 Minutos. O que vamos fazer? - Peguei um cigarro tentando demonstrar desdém. - E se eu te pagasse o resto da vida? - Surpresa e confusa apaguei o cigarro, rodei a sala e perguntei por fim. - O que você quer de mim? - Olhei-o com raiva. - Lembra-se de algum Cícero? - Pensei e me veio duas lembranças embaraçadas. - Fiz programa a pouco tempo com um. Sei disso porque ele tinha um cartão de identificação que gostava de exibir para mostrar sua importância. Lembro também de .. - Pensei assustada. - Lembra de ...? - Falei com lágrimas marejando os olhos - Lembro de Cícero, meu irmão mais velho. O único que me viu antes de ir e me abraçou. O unico que acreditou em mim. - As lágrimas não suportaram mais. - Sou eu, Carol. Sou eu! Sou Cícero! - Nos abraçamos com tanta força e tanto amor que não parecia estar em mim. Ele me levou pra conhecer sua família e me arrumou um emprego muito bom no restaurante que trabalha. A partir daquele dia ele não me deixou sair de lá. Ainda bem que não deixou. Ainda bem.
Edição Profissão: Garota de Programa
09/05/2011

10:05 da manhã

11/09/01 06:23

O mar estava calmo. O céu estava azul. E os pássaros cantarolavam como se soubessem da magia do teu som. Tudo indicava o mais belo dos dias. Verdade. Para Robert era o mais perfeito. Ele, acordou uma hora mais cedo naquele dia. A ansiedade o consumia por inteiro. Estava feliz. Animado com o momento em que veria sua amada. Aquela pequena caixa preta, forrada com veludo, que tinha lhe custado mais de dois meses de trabalho, pesava uma tonelada em seu bolso. Não sentia nem ao menos seus pés sob chão. Tuas mãos tremiam compulsivamente e suavam como nunca. Estava pra se tornar o melhor dia da sua vida.  E sabia disso.  Irônico. Sophie também acordou uma hora mais cedo, embora por motivos opostos. Se levantou sem propósito fixo. Estava apreensiva. Havia ficado acordada até tarde pensando em Robert. Tinha medo das palavras dele, afinal, qual seria o motivo de um encontro tão repentido e desesperado? Término? Por mais opções que existissem, o fim do namoro era o único que fazia sentido para Sophie. Pensou mais de três vezes em desmarcar e inventar alguma desculpa esfarrapada, mas se sentiu péssima ao imaginar obrigar uma pessoa a se prender a ela por piedade, compaixão. 

09:46
Robert chegara ao World Trade Center alguns minutos antes do combinado. Havia se arrumado toda a manhã. O chão parecia estremecer sob suas pernas bambas. As pessoas pareciam que o encaravam como o mais impuro dos homens. Paranóia. Era apenas loucuras que passavam por sua cabeça entorpecida. Em sua mente só conseguia ver os olhos doces e os fios loiros de seu amor. Quando ele a viu pareceu enlouquecer novamente, como um viciado ao ver sua droga favorita. Ela estava linda como sempre, parecia ter acordado do mais lindo sonho. Seus olhos pareciam estar cansados e sua rosada boca tremia. Ela aproximou-se, lhe deu um singelo beijo e o comprimentou. Os dois segundos de silêncio fizeram com que Sophie
 lembrasse da desconfiança desta manhã e suas mãos gelaram com o pensamento. Ao fim daquela tortura da falta de palavras, finalmente ele conseguiu pronunciá-las da mais perfeita forma.
- Você está tão linda. - Seu rosto corou e não lhe parecia a melhor opção beijá-la naquele momento.
- Como você consegue fazer isso comigo? - Foram as únicas palavras que ela conseguiu falar depois do espanto dos mais longos segundos.
- Como assim? - Seus olhos fixaram nos dela.
- Como consegue me fazer delirar com tão poucos gestos? - Sorriaram juntos e trocaram um profundo olhar.
- Te chamei , hoje, terça feira, porque foi aqui que te pedi em namoro á quatro anos atrás. E achei que fosse o lugar ideal. - Finalmente Sophie entendeu a mistura das letras embaralhadas que saiam como vento no doce hálido do mais perfeito homem. Ela compreendeu tudo, como se fosse a descoberta do século. Abriu um sorriso contagiante e não conseguiu se conter. O abraçou com tanta força que o impediu de continuar. Essa foi a pausa necessária para que tudo a sua volta virasse um inferno.

10:05 

A última coisa que Robert viu foi o rosto assustado e desesperado da sua razão de viver. Impurrou-a com tanta força que sentiu como se houvesse a esmagado com seu corpo atlético. Só conseguia escutar os gritos abafados e desesperados. O toque da polícia. O chamado da ambulância. O terror, enfim, chegara. Chegara com um turbilhão de mortos. Chegara com o desespero de mães. Ele não conseguia saber se estava lúcido. Tudo lhe parecia o pior dos pesadelos. Escutou algumas palavras de pessoas que lhe tocavam como se quisessem descobrir se estava realmente vivo. Não abria os olhos. E ele não entendera porque não abria os olhos. Ouviu claramente - 'O mundo está acabando (..) As torres gêmeas foram atacadas (..) O que está acontecendo' - Era o fim. Não havia nada a ser feito. Ele mal conseguia mover seu corpo e sua mente estava entregue a sua amada. Adormeceu por muitos minutos.

 Depois de despertar e se levantar, o mundo ainda estava em choque, tudo a sua volta estava completamente destruido, mas a única coisa que conseguia ver era Sophie. Seu rosto estava tão perfeito como no começo do dia, porém estava sem cor. Parecia estar sem vida. Começou a chorar desesperadamente tentando fazer com que os lindos olhos de So se abrissem. Sim. Ela estava viva. Estava fraca, mas viva. Ele conseguira salvá-la. Nunca sentiu teu coração mais leve como naquele instante. Abraçou-a e prensou teu corpo contra o dela, fazendo-o estralar. So tirou o fino e destruido óculos que tampava a visão de Robert e observou cada detalhe, como na primeira vez. Observou com fome, desejo, vontade, saudade. As lágrimas não se conteram e se derramaram pelo sujo rosto de ambos.

 Teu amado estava bem. Era a única coisa que importava para ela. As mãos dele estavam gélidas e rígidas sob as dela. Observá-la tinha se tornado seu maior  passatempo. 
- Pensei que tivesse te perdido. Foi meu pior pesadelo. - Estremeceu.
- Você nunca irá me perder. Porque eu faço parte de você. - Essas foram palavras suficientes para que o casal jovem se jogassem em um ardente e ansioso beijo apaixonado. Ao final de tanto desespero Robert procurou pela caixa de veludo e encontrou-a amassada em seu bolso rasgado. Por fim conseguira tê-la em suas mãos. A única frase que pôde dizer a ela antes que ela proferisse algo, foi:
- So, quer se casar comigo?
04/05/2011

Pessoal


Ainda me encontro pensando nas palavras certas pra me explicar a verdade da tua doce melodia. Você vem assim, leve, solto, esperando respostas desesperadas e ansiosas.
Tenho medo de te olhar nos olhos e não suportar a falta da falsidade. Tenho pavor da idéia da realidade me atropelar como uma forte ventania. Não suporto teus lábios condenando meus passos cautelosos, e suporto muito menos a necessidade que você tem de me tocar enquanto pronuncia as mais frias frases. Sem emoção. Sem carinho. Apenas seu toque já não é suficiente.
Guardo dentro de mim os mais puros desejos, e os mais escuros segredos. Segredos que nem sei muito bem quais são. Ocultos como qualquer qualquer sinal de amor em teus olhos. 

Os mais poderosos mistérios são seus. São sobre você e mais ninguém. Sobre tua pele, teu brilho, teus braços. Sinto te dizer frases completas e incompletas como estas. Mas esse tremor me consome, me devora. Te amo. Te odeio. Te venero. Meu segredo é você. Meu medo é você. Minha música é o som que você faz, quando respira.

Da mais pura saudade
Do mais puro querer
Da tua e de mais ninguém, Bruna.
03/05/2011

Cheiro de Vontade


Ando me perguntando onde andará você. Irônico. Te tenho dentro de mim há tanto tempo e hoje  não sei onde estás. Que pergunta triste. Desiludida. Sinônimo de que se perdeu, como diria Caio Fernando.
Se perdeu. Voou para longe. Sumiu como um pássaro com medo. Evaporou como a água sob o asfalto quente. Onde andará você? Diga-me.
Hoje senti tuas mãos nas minhas enquanto dormia,  mas não senti teu toque, nem o calor da tua pele. Volte! Volte de pressa, pois já não aguento essa falta de luz, não aguento essa ventania que me empurra cada vez mais longe de você. Te espero ansiosa, como na primeira vez. Não me escreva uma carta. Não me mande um torpedo e nem me envie um e-mail. Eu só quero você. 3 segundos são mais que suficientes.
Te aguardo sentada na cadeira marrom desbotada da sala de estar. Posso deitar ás vezes no tapete, mas se me encontrar neste estado não precisa me acordar. Se me encontrar isolada, esmurrada pelo vento, imóvel, é porque chegara o que temi por tanto tempo, é porque minhas pernas perderam a vontade de se mover, é porque o cheiro de saudade tomou conta de mim.
Projeto Suas Palavras: Saudade